BA tem 71% mais indígenas que SC, mas recebe 25% menos verba para combate à Covid


Publicado em 16/10/2020 | Lido 43 vezes | Escrito por Gilmar Ribeiro


BA tem 71% mais indígenas que SC, mas recebe 25% menos verba para combate à Covid

Durante a pandemia do novo coronavírus, a Fundação Nacional do Índio (Funai), destinou valores aos estados brasileiros para o combate e prevenção da Covid-19 entre a população indígena. A Bahia é terceiro estado com maior número de autodeclarados índios, mas recebeu 25% a menos do valor pago a Santa Catarina, apesar de ter 71% a mais de índios em seu território.

Os dados obtidos via Lei de Acesso a informação (LAI) pelo Bahia Notícias apontam que o estado do sul do país teve R$ 1.162.219,62 em despesas pagas, divididas em duas unidades gestoras. Já a Bahia recebeu R$ 881.417,26, também em duas unidades gestoras, desde abril, quando o governo federal começou a destinar verbas para o combate à pandemia entre indígenas até o dia 8 de outubro de 2020.  

Em números gerais, de acordo com o último censo do IBGE, em 2010, vivem na Bahia 56.381 indivíduos, representando 16 grupos étnicos, o que totaliza 6,9% da população indígena brasileira. Já em Santa Catarina, também segundo o IBGE, são 16.041 índios, que correspondem a 2% da população nacional. Enquanto a Bahia é a terceira no ranking, neste quesito os catarinenses aparecem na modesta 15ª posição. Contudo, nos investimentos, as posições se invertem. Santa Catarina aparece em quinto, enquanto a Bahia é a sexta colocada.
Outra unidade da federação com menor população a receber valor maior que a Bahia foi o Mato Grosso. O estado do Centro-Oeste teve R$ 2.866.755,37em despesas pagas, 30% a mais que a Bahia, que possui 13.843 índios a mais. O total pago pelo governo Bolsonaro para controle do coronavírus junto a indígenas aos 27 estados brasileiros e o Distrito Federal foi de R$ 18.432.228,73 até este mês.

Até esta quinta-feira (15), oito indígenas morreram na Bahia em decorrência da Covid-19. Este número contabiliza todo o período da pandemia. O total de infectados é de 1.394 indígenas no estado. A quantidade representa 0,42% do número total de infectados pelo vírus na Bahia. Estes indígenas estão distribuídos em 36 aldeias ou regiões, segundo dados disponibilizados pela Secretaria da Saúde do Estado da Bahia (Sesab).

Além dos estados citados, receberam a verba para o combate ao novo coronavírus Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Pará, Paraíba, Paraná, Rio Grande do Sul, Rondônia, Roraima, São Paulo, Tocantins, Maranhão, Distrito Federal, Ceará e Amazonas.

DETALHAMENTO DA BAHIA
O estado recebeu aporte federal por meio de duas unidades gestoras, que são chamadas de coordenações regionais. A primeira é do Baixo São Francisco, situada em Paulo Afonso, que divide sua jurisdição os índios do norte e oeste da Bahia e alguns povos de Pernambuco. 

A entidade recebeu R$ 417.874,03 da Funai. Na apresentação contida no site da Funai, a coordenação estima que atende 44.369 mil índios, distribuídos em 44 terras indígenas e com 17 etnias distintas, sendo: Tuxá, Kiriri, Kaimbé, Pankaru, Atikun, Fulni-ô, Payayá, Pataxó, Xacriabá, Pankararu, Pankaiwká, Truká, Tumbalalá, Xucuru-Kariri, Pankararé, Kantaruré e Kambiwá.

A segunda associação baiana a receber recursos da União é a Coordenação Regional do Baixo Sul, que obteve um aporte de R$ 463.543,23, e tem sede em Eunápolis. Com uma população estipulada de 18.127 indivíduos, esta coordenação tem como unidades subordinadas as Coordenações Técnicas Locais de Itamaraju, Porto Seguro I (Santa Cruz Cabrália) e Porto Seguro II, Prado, Itabuna, Ilhéus, Pau Brasil e Camacan. As etnias Tupinambá de Olivença, Tupinambá de Belmonte, Pataxó e Pataxó Hã Hã Hãe habitam tradicionalmente esta região em Terras Indígenas (TI) denominadas de Águas Belas, Fazenda Bahiana, Caramuru-Paraguassu, Tupinambá de Olivença, Tupinambá de Belmonte, Coroa Vermelha, Mata Medonha, Imbiriba, Barra Velha (Aldeia Mãe), Aldeia Velha e Cahy Pequi, além de outras que estão em estudo.

 Fonte: Bahia Notícia

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